Não me toque
Algumas semanas atrás ganhei uma mudinha da planta “não me toque” ou “dorme-dorme” (Mimosa pudica). Memória de infância.
Alguns anos atrás, fiz esse pedido a minha prima,
companheira das “cabritices” de criança, pois era lá, na sua morada na Colônia
São Manoel entre Pelotas e Canguçu (RS) que meu reino encantado existia, mesmo
que só durante os meses de verão nas férias escolares. Os meses restantes, na
cidade, não tinham o mesmo encanto nem a harmonia desejada.
Nas andanças pelas lavouras de pêssegos, nos passeios pelo
campo até chegar ao açude ou nas caminhadas pela mata nativa em direção ao
arroio, era grande a alegria quando alguém encontrava uma “dorme-dorme”. Era
tão espetacular tocar na planta e ver ela se encolher. Era mágico!
Agora, com a plantinha em casa, mostro para cada visita que recebo e tenho que me controlar para não estressar a planta. Tocar só uma vez ao dia, no máximo.
Para que se feche é preciso um toque um “tantinho” bruto. Se
for leve só algumas folhinhas se fecham, os galhos não. Fechada, galhinhos
fininhos para baixo, parece seca e morta. Chega “dar pena”. Passados alguns
minutos a planta se ergue novamente na sua delicadeza. É bonita. Que alegria.
“Somos como essa planta”, pensei. Toques brutos nos abalam. “Pauladas”
que recebemos da vida, palavras e ações de pessoas, de instituições, de
organizações governamentais e privadas. Ficamos feios, apagadinhos, murchinhos,
fechadinhos, sem brilho e sem delicadeza.
Assim como a planta, depois de algum tempo levantamos. Mas é preciso que haja luz.
Na escuridão da noite ela se recolhe, bem como com ventos fortes ou Sol demais. Turbulências.
Quem te fere? O que te fere?
Ao se recolher ela se protege dos excessos exteriores.
Mas todas as vezes que somos iluminados, nos levantamos. Seguimos!
Quem te levanta? O que te ilumina?

Que linda analogia! Ah, a infância!!!
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